50 anos de RP na UFG: exposição e eventos celebram legado e inspiram o futuro
Exposição realizada na Semana de RP apresentou uma linha do tempo com a trajetória do curso desde sua criação até os dias atuais
Como parte das comemorações pelas cinco décadas do curso de Relações Públicas da UFG, a exposição “50 anos de RP: Memórias e Conexões” foi um dos destaques da programação da Semana de RP, realizada entre os dias 10 e 12 de junho. Mais do que uma retrospectiva visual, a exposição teve como objetivo evidenciar o papel do curso na formação de profissionais comprometidos com a comunicação estratégica, a construção de vínculos e a transformação da sociedade. Intitulada “O curso de Relações Públicas na UFG: um percurso em quatro fases”, uma linha do tempo incorporada à exposição trouxe um panorama detalhado da evolução do curso desde a sua criação, em 1975, até os dias atuais.
A seguir, apresentamos um resumo da história do curso que deu base à exposição e à construção da linha do tempo. Esse conteúdo foi elaborado a partir de diferentes fontes documentais e memoriais, como o livro “Relações Públicas no coração do Brasil: construção e trajetória do curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Goiás”, organizado pelo professor Dr. Tiago Mainieri e publicado em 2012; edições do jornal Perspectiva, produzido por alunos do curso; além de conversas e depoimentos com docentes que fizeram parte dessa trajetória ao longo das últimas décadas.
1ª Fase (1975–1984): Início, estruturação do curso e os professores pioneiros
A história das Relações Públicas na UFG começa oficialmente em 1975, quando o curso foi criado como uma das habilitações da antiga graduação em Comunicação Social. À época, o Departamento de Comunicação fazia parte do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) e contava com uma equipe multidisciplinar de professores, muitos deles oriundos de áreas como Filosofia, Sociologia e História. A formação inicial foi marcada por desafios, como a escassez de docentes especializados em RP e a necessidade de construir uma identidade para a profissão, ainda pouco conhecida no mercado goiano.
Entre os primeiros professores estiveram José Costa Mota, Sidney Valadares Pimentel e Jane Jorge Sarques. Mota, egresso da Universidade de Brasília (UnB), foi o único formado em RP entre os pioneiros e chegou a ministrar até cinco disciplinas por semestre. A formatura da primeira turma ocorreu em 1979 e, naquele mesmo ano, foi implementada uma nova matriz curricular mais voltada às demandas do mercado e à especificidade da área. Neste mesmo ano, novas professoras se juntaram à equipe: Ana Maria de Brito, Walkíria Lopes Trindade (egressa do curso) e Venerando Ribeiro de Campos, contribuindo para a reformulação do currículo e o fortalecimento das disciplinas específicas. Ainda nesse período, surgiram os Seminários Goianos de Relações Públicas, que marcaram o início de uma articulação com o mercado local.
2ª Fase (1984–2004): Profissionalização, fortalecimento do curso e consolidação da equipe
A partir de 1984, o curso passou a contar com novos docentes e uma proposta pedagógica reformulada. As professoras Lindsay Borges e Maria Francisca Magalhães Nogueira ingressaram por concurso e se juntaram a outros nomes importantes da trajetória da graduação. Nesse momento, fortaleceu-se a visão do profissional de RP como estrategista, planejador e pesquisador. O currículo passou a priorizar disciplinas mais específicas e alinhadas ao cotidiano do mercado de comunicação.
Destaca-se, nesse período, a criação da primeira Agência Experimental de Relações Públicas e do Laboratório de Redação em 1985. A Agência, considerada referência dentro do Departamento de Comunicação à época, operava em turnos distintos: servia às aulas pela manhã e realizava atendimentos à comunidade universitária no período vespertino, com a participação voluntária dos estudantes. Embora tenha encerrado suas atividades em 1991, deixou um legado importante para a trajetória do curso.
A partir dos anos 1990, novos docentes ingressaram, como João Ângelo Fantini, Divina Marques, Júlio Afonso Sá de Pinho Neto e Maria Luisa Mendonça. A criação da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb), em 1997, também marcou a fase, reforçando a identidade do curso dentro da universidade. Temas como responsabilidade social, meio ambiente e democratização da internet passaram a ser discutidos com maior frequência nos projetos experimentais desenvolvidos pelos alunos. Apesar do crescimento e da inserção de novas temáticas, o curso começou a enfrentar dificuldades relacionadas ao número reduzido de professores formados em Relações Públicas. A aposentadoria do professor Mota, em 2004, marcou simbolicamente o fim da geração pioneira dos docentes do curso.
3ª Fase (2004–2012): Renovação curricular e expansão docente
Com a aprovação do novo Regulamento Geral de Cursos de Graduação da UFG, em 2002, o curso passou por uma importante reformulação curricular, que trouxe maior flexibilidade e interdisciplinaridade. O currículo passou a contar com opções de áreas especializadas como Relações Públicas Governamentais, Terceiro Setor e Empresarial, e disciplinas práticas e laboratoriais. Essa renovação coincidiu com a chegada de uma nova geração de docentes, que contribuiria para a modernização do ensino de Relações Públicas na universidade.
Entre 2008 e 2012, ingressaram nomes como Rubén Darío Jiménez Candia, Tiago Manieri de Oliveira, Claudomilson Fernandes Braga, Daiana Stasiak, Lutiana Casaroli, Rafael Franco Coelho, Simone Antoniaci Tuzzo, Adriane Geralda Alves do Nascimento, Edson Teixeira Álvares Júnior, Luciano Alves Pereira, Flávia Martins dos Santos e Gardene Leão de Castro Mendes. A diversidade de experiências desses profissionais trouxe novas abordagens teóricas e práticas para o curso.
Dois novos projetos marcaram essa fase. O jornal Perspectiva, criado em 2004, tornou-se um veículo de comunicação laboratorial voltado aos alunos do 3º e 4º períodos, sob orientação das disciplinas de Produção de Texto Jornalístico I e II. Já o Laboratório de Relações Públicas (LARP) foi implantado em 2007 com o objetivo de promover o contato dos estudantes com diferentes mídias e produtos institucionais.
Em 2009, surgiu a Agência Experimental Simetria, um importante espaço pedagógico voltado à formação prática em eventos e comunicação institucional, inicialmente ligada às disciplinas de Práticas Laboratoriais em RP e Tópicos Contemporâneos em Comunicação. A Simetria teve papel de destaque na organização de eventos como o Intercom Centro-Oeste e a FEICOM, aproximando os estudantes do universo profissional e fomentando experiências reais em planejamento, captação de recursos e execução.
4ª Fase (2013–2025): Autonomia do curso e fortalecimento da atuação profissional
A quarta e atual fase do curso tem como marco central a transformação da habilitação em uma graduação autônoma, em 2015. A mudança foi motivada pela adequação às novas Diretrizes Curriculares Nacionais do MEC, que exigiam reformulação das matrizes curriculares e maior foco em competências específicas. Entre as principais alterações estiveram a ampliação da carga horária, a inclusão do estágio supervisionado obrigatório e a incorporação de conteúdos voltados ao universo digital.
Essa fase também marca o fortalecimento do protagonismo discente. Em 2016, foi fundado o Centro Acadêmico de Relações Públicas (CARP) e, em 2018, a Empresa Júnior Mutare. Ambas as iniciativas fortaleceram o protagonismo discente na vivência acadêmica e na construção de espaços coletivos de aprendizado e representatividade.
A reforma curricular mais recente incorporou oficialmente a Agência Simetria às disciplinas de Assessoria de Comunicação I e II, fortalecendo ainda mais a formação prática. Além disso, as viagens técnicas a Brasília, promovidas pela disciplina RP Especializada: RP Governamentais, tornaram-se um marco formativo importante para os alunos.
A partir do estágio obrigatório, o curso estreitou seus laços com o mercado, ampliando o diálogo com profissionais e egressos que hoje contribuem para o fortalecimento das RP em Goiás, movimento evidenciado na realização da própria Semana de RP “50 anos: Trajetórias que comunicam”, que reuniu egressos como palestrantes convidados e foi organizada por alunos da disciplina de Gestão de Eventos (turma de 2025).
A equipe docente também se renovou nos últimos anos. A partir de 2020, novos professores passaram a integrar o quadro do curso. Em 2021, ingressaram Thiago Franco e João Dantas; em 2022, Mariana Carareto; e, em 2023, a professora Juara Castro, que se tornou a primeira professora cotista do curso, fato que marca um importante avanço na representatividade e diversidade no corpo docente da graduação.
Um percurso coletivo de construção
Em 2025, o cinquentenário do curso também foi celebrado com a Aula Magna “Relações Públicas: memória, sociedade em transformações, desafios e esperanças”, ministrada pela professora emérita da ECA-USP Margarida Kunsch – uma das maiores referências das Relações Públicas no Brasil. Realizada no mês de março, a atividade marcou simbolicamente o início das comemorações oficiais pelos 50 anos do curso. A presença da professora Kunsch reforçou a importância histórica da graduação da UFG, conectando gerações e reafirmando o compromisso da área com a democracia, a ética e a gestão estratégica da comunicação.
Assim como a Aula Magna, a exposição “50 anos de RP: Memórias e Conexões” e os demais eventos realizados ao longo da Semana de RP contribuíram para tornar o cinquentenário um marco inesquecível. Mais do que uma celebração do passado, esse conjunto de ações lançou luz sobre os desafios e potencialidades do presente, além de inspirar os próximos passos. O curso de Relações Públicas da UFG segue escrevendo sua história com base em conexões humanas, formação crítica, excelência acadêmica e diálogo permanente com a sociedade. Que venham muitas outras Semanas de RP e mais décadas de histórias que comunicam.
Para saber mais sobre a exposição, clique aqui e assista a reportagem realizada pela TV UFG.
Confira fotos do evento: